quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

O Mundo que nos Rodeia: Ministérios contrataram 14 mil novas pessoas



Ministérios contrataram 14 mil novas pessoas


Nas Administração Central estão proibidas há mais de um ano, mas no primeiro semestre foram assinados mais de 14 mil novos contratos.
Apesar das admissões na Administração Central do Estado estarem proibidas há mais de um ano, os ministérios continuam a contratar. Segundo os resultados de um inquérito adicional para apurar, em concreto, as entradas e saídas da Administração Pública, no primeiro semestre, foram assinados 14.762 novos contratos, mais de metade no Ministério da Educação.

O questionário foi lançado em Setembro, por ordem do secretário de Estado da Administração Pública, Hélder Rosalino, com o objectivo de clarificar "as causas de variação do número de trabalhadores na Administração Central, em particular das novas entradas de trabalhadores e saídas definitivas", explica o Ministério das Finanças ao Diário Económico. O questionário, dirigido a todas as entidades da Administração Central, foi lançado "com vista à concretização dos objectivos definidos pelo Programa de Assistência Económica e Financeira a Portugal", adianta a fonte.

Recorde-se que na primeira versão do memorando assinado com a ‘troika' ficou estipulada uma meta de redução de pessoal no Estado de 1% ao ano até 2013. Porém, no Documento do Estratégia Orçamental, o Governo viu-se obrigado a duplicar a meta para os 2% ao ano, reconhecendo que a redução de trabalhadores no primeiro semestre de 2011 estava aquém das expectativas (inferior a 1%).

Fonte: Económico ONLINE

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O Mundo que nos Rodeia: O ÓBVIO




O ÓBVIO


"As dívidas dos Estados são, por definição, eternas. As dívidas gerem-se." São eternas porque, ao contrário das pessoas, os Estados não morrem. Nunca nenhum País decidiu ficar com as suas dívidas a zero. A questão é sempre e apenas se pode continuar a pagá-las. Se os juros praticados são suportáveis e o seu crescimento económico permite cobrir os custos da dívida. E por isso são geridas. O que José Sócrates disse, para qualquer pessoa minimamente informada e que esteja de boa-fé nem merece debate. Não é matéria de opinião e ou de confronto ideológico.

No entanto, bastou o ex-primeiro-ministro afirmar uma ululante evidência para que se instalasse a indignação do costume. "Esta declaração do engenheiro José Sócrates explica porque é que afinal a bomba lhe rebentou nas mão e ele nos conduziu para a tragédia em que nos encontramos. Se as dividas não são para pagar e se foi isso que ele entendeu dos estudos que fez de economia e finanças então está explicado porque ele não se preocupou que Portugal tivesse cada vez mais dívidas e não as pagasse." A frase é do ex-ministro dos Negócios Estrangeiros de José Sócrates, Freitas do Amaral, que teve simpatia pelo antigo regime antes do 25 de Abril, foi democrata depois dele, de direita quando a direita chegou ao poder, apoiante e governante do PS quando o PS ganhou as eleições e é agora entusiasta apoiante de Passos Coelho. Trata-se de um fenómeno que desafia as leis física: como pode alguém sem espinha dorsal manter-se de pé? Neste caso é fácil explicar a falta de honestidade intelectual. Noutros, é bem mais preocupante.

É fácil acreditar na ideia de que a nossa situação actual se deve a um homem. Mesmo que tudo nos demonstre o absurdo de tese. Sócrates não conseguiu, apesar de tudo, governar Portugal, a Grécia, a Irlanda, Itália e a Espanha em simultâneo. E mesmo os nossos problemas – dívida externa, desigualdade na distribuição de rendimentos, crescimento cronicamente baixo, desequilíbrio da balança de pagamentos, uma moeda demasiado forte, distorções no mercado de arrendamento, falta de competitividade da nossa produção, erros crassos no nosso modelo de desenvolvimento – não têm seis anos. Só que resumir tudo à dívida pública e a um homem dispensam-nos de qualquer reflexão mais profunda. Há um culpado e a coisa está feita. E tem outra utilidade: sendo a culpa do primeiro-ministro anterior só nos resta aceitar tudo o que seja decidido agora. Afinal de contas, Passos Coelho está apenas a resolver os problemas deixados pelo seu antecessor.

Sócrates foi, na minha opinião, logo depois de Cavaco Silva (que desperdiçou uma oportunidade histórica), o pior primeiro-ministro eleito da nossa democracia. Mas nem por isso dispenso a honestidade intelectual e o rigor na análise. Nem por isso aceito a estupidificação colectiva na interpretação de uma frase óbvia. Nem por isso aceito o simplismo político. Nem por isso resumo o debate à demonização de uma só pessoa. Que políticos ressabiados ou gente que se quer pôr em bicos de pés o façam – e não posso deixar de assinalar que Pedro Passos Coelho se recusou a entrar na gritaria e encerrou o assunto com um "acho que ninguém pode discordar" – não me espanta. Já acho mais perturbante que economistas e jornalistas de economia embarquem em tão rasteiro expediente argumentativo. Torna-se difícil dar crédito a qualquer opinião que emitam sobre qualquer outro assunto.

Escrevi-o antes das eleições em que o PS foi julgado pela democracia e escrevo-o de novo: se os problemas portugueses e europeus tivessem começado e acabado em José Sócrates bem mais fácil seria a nossa vida. E nem o confronto político desculpa a desonestidade intelectual da indignação que se instalou com a afirmação do óbvio.



Fonte: Por Daniel Oliveira
Expresso Online

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Às Voltas com a Memória: ANTÓNIO LIVRAMENTO (n. 28 Fev. 1943; m. 07 Jun. de 1999)



António José Parreira do Livramento, nasceu em São Manços, a 28 de Fevereiro de 1943, considerado o melhor jogador do Mundo de todos os tempos.
Começou por jogar futebol, a sua paixão de adolescente, no Venda Nova, perto de Benfica. A certa altura, um técnico do Futebol Benfica, Torcato Ferreira, achou que o "miúdo" teria muito jeito para jogar hóquei em patins, e convidou-o a aparecer no rinque do «Fófó». Livramento recusa, mas perante a insistência de Torcato decide experimentar, e a partir daí o futebol passa para segundo plano.
Em 1959, o Benfica contrata-o, numa operação algo complicada, e aos 16 anos é chamado à selecção de juniores por António Raio. Tem a sua estreia auspiciosa contra a Bélgica, no Campeonato da Europa, marcando três golos na vitória por 5-1. É eleito melhor jogador do torneio, aliado ao troféu de melhor marcador.
Passa para a equipa principal, e em 1961 sagra-se Campeão Europeu, marcando 17 golos, tal como Adrião. No ano seguinte a dupla Livramento/Adrião torna-se imparável e Portugal é Campeão do Mundo.
Um momento ímpar na carreira de António Livramento aconteceu em Maio de 1962. O Mundial de hóquei em patins disputava-se em Santiago do Chile. No jogo entre Portugal e a Argentina, um jogador apanha a bola atrás da baliza, finta toda a equipa adversária e marca golo levando o público ao delírio. Era Livramento, que, emocionado, pede para sair.
Em 1963, torna-se pela segunda vez Campeão da Europa, e em 1965, em mais um triunfo europeu de Portugal, deslumbra, marcando sete dos 17 golos da vitória lusitana sobre a Bélgica. No final dos anos 1960 já não há dúvidas que o futuro do hóquei era ele.
A beleza do seu jogo só é igualada pela eficiência do mesmo. Volta a ser Campeão Nacional e Europeu em 1967, e um ano depois, no Porto, marca 42 golos em nove jogos do Mundial, quase metade dos da selecção das quinas (92). Por três vezes marca dez golos (Japão, Nova Zelândia e Suíça) num só jogo.
As grandes exibições levam-no a sair do Benfica para Itália, para jogar no Hóquei Candi Monza, mas pela primeira vez fica fora da selecção, quando Portugal se sagra novamente, em 1971, Campeão da Europa. Volta a Lisboa no ano seguinte para ser Campeão pelos encarnados, triunfo que repete em 1974, sagrando-se pela segunda vez Campeão Mundial.
Com a sua genialidade e talento junta mais dois títulos europeus ao seu vasto palmarés. Muito supersticioso, quando um jogo lhe corria bem, voltava a equipar-se da mesma maneira, repetindo os mesmos passos no jogo seguinte.
Ingressa depois no clube do Banco Pinto & Sotto Mayor, onde era funcionário, chegando a campeão da II Divisão.
Daí muda-se, em 1977, para o clube do coração, o Sporting, integrando uma equipa de sonho. Conquista tudo o que havia para ganhar, incluindo o título que lhe faltava, a Taça dos Campeões Europeus.
Sob a sua batuta, Portugal volta a sagrar-se Campeão Europeu, num jogo com a Espanha, incendiado nos minutos finais pelas agressões mútuas entre Livramento e um espanhol, que termina com invasão de campo. Após o jogo, declara "é a última vez que jogo pela Selecção. Em tantos anos nunca coisa semelhante me aconteceu. Tive de reagir depois do Ortega me ter agredido, quando vi o osso de fora…a minha saída não afectará Portugal". Fez 209 jogos com a selecção das quinas, marcando 425 golos. Ruma depois ao Amatori Lodi, de Itália, terminando a carreira no Sporting, em 1980.
Depois de abandonar os ringues, inicia o percurso de treinador novamente pleno de êxito, levando em 1981 o Sporting à vitória na Taça das Taças. No ano seguinte conquista o Campeonato Nacional.
Em 1984 conduz o «seu» Sporting a mais dois troféus para as vitrinas de Alvalade (Taça Cers e Taça de Portugal), e ruma de novo a Itália para treinar o Bassano, onde jogam Luís Nunes e Fanã.
Volta a Alvalade, qual pronto-socorro para reanimar uma equipa moribunda, levando-a ao segundo lugar do Campeonato.
Com o rigor, disciplina e a capacidade de motivar os jogadores implanta um jogo agressivo, ao bom estilo italiano, de procura constante da bola, aliada ao tecnicismo português que torna as suas equipas infalíveis. O seu maior vício era o tabaco, a ponto de, nos estágios da Selecção, dividir o quarto com o massagista para não fumar.
Soma mais três títulos, dois Europeus pela selecção, e um Nacional pelos «leões», e já na década de noventa, em 1993, é Campeão Mundial em Itália, 31 anos depois do último troféu conquistado fora de casa.
Não pára por aí, e como seleccionador sagra-se novamente Campeão da Europa no ano seguinte. Em 1998 é convidado para treinar o FC Porto e na mesma temporada vence o Campeonato, mas perde por penaltis a final da Liga dos Campeões.
A 7 de Junho de 1999, o destino coloca-o perante o desafio final, acabando por morrer repentinamente com apenas 55 anos, vítima de uma trombose, em Lisboa.
Cristiano Pereira, colega de selecção e seu substituto no lugar de treinador do FC Porto, define o campeão na hora da despedida final: "Ele era o artista".

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

O Mundo que nos Rodeia: ONDE ESTÃO OS SACRIFÍCIOS?




O Governo fez uma média de três nomeações por dia, desde que tomou posse. Foram 610 os novos funcionários que entraram nos gabinetes ministeriais desde 5 de Junho.


O salário médio é de, aproximadamente, 2.300 euros, representando um encargo anual de quase 20 milhões de euros para o Estado.

O Ministério da Agricultura foi o que mais funcionários nomeou - 91 novos colaboradores -, seguindo-se o Ministério da Economia, com 86. São os dois “superministérios” que agregam, no primeiro caso, os anteriores ministérios da Agricultura com o do Ambiente e, no segundo, os antigos Ministérios da Economia, das Obras Públicas e do Trabalho.

Ainda assim, os gabinetes de Assunção Cristas e Álvaro Santos Pereira conseguiram reduzir o seu pessoal em 118 pessoas, poupando 300 mil euros por mês em salários em relação ao Governo de José Sócrates. A redução em comparação com o anterior Governo representa menos quatro milhões de euros por ano gastos em salários nestes gabinetes.

Nos ministérios em que são fornecidos dados que comparam com os gabinetes do anterior Executivo, como é o caso da Defesa, Administração Interna, Assuntos Parlamentares, Economia, Agricultura, Saúde, Educação, Cultura e, também, na Secretaria de Estado do Adjunto do Primeiro-Ministro, foram reduzidos 274 postos de trabalho.

Esta redução, de acordo com os dados do portal do Governo, representa menos cerca de 740 mil euros por mês em encargos com pessoal. Por ano, há uma poupança a rondar os 10 milhões de euros em salários.

O cálculo é realizado a partir dos dados disponíveis no site do Governo que lista as nomeações para cargos na administração central. Em alguns casos, alguns despachos de nomeação estão ainda em fase de elaboração, pelo que podem ainda vir a ser actualizados. A análise contempla as nomeações feitas até ao fim de Novembro.


Fonte: Renascença

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O Poeta é um fingidor



Se Eu Morrer Novo


Se eu morrer novo,
Sem poder publicar livro nenhum,
Sem ver a cara que têm os meus versos em letra impressa,
Peço que, se se quiserem ralar por minha causa,
Que não se ralem.
Se assim aconteceu, assim está certo.

Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos,
Eles lá terão a sua beleza, se forem belos.
Mas eles não podem ser belos e ficar por imprimir,
Porque as raízes podem estar debaixo da terra
Mas as flores florescem ao ar livre e à vista.
Tem que ser assim por força. Nada o pode impedir.

Se eu morrer muito novo, oiçam isto:
Nunca fui senão uma criança que brincava.
Fui gentio como o sol e a água,
De uma religião universal que só os homens não têm.
Fui feliz porque não pedi cousa nenhuma,
Nem procurei achar nada,
Nem achei que houvesse mais explicação
Que a palavra explicação não ter sentido nenhum.

Não desejei senão estar ao sol ou à chuva —
Ao sol quando havia sol
E à chuva quando estava chovendo (E nunca a outra cousa),
Sentir calor e frio e vento,
E não ir mais longe.

Uma vez amei, julguei que me amariam,
Mas não fui amado.
Não fui amado pela única grande razão —
Porque não tinha que ser.

Consolei-me voltando ao sol e à chuva,
E sentando-me outra vez à porta de casa.
Os campos, afinal, não são tão verdes para os que são amados
Como para os que o não são.
Sentir é estar distraído.


Análise do poema "se eu morrer novo"

O poema "Se eu morrer novo" é um poema de Alberto Caeiro, incluído nos "Poemas Inconjuntos” do poeta.
Os poemas inconjuntos são aqueles poemas que, não cabendo quer no "Guardador de Rebanhos" ou no "Pastor Amoroso" acabaram por ficar dispersos e reunidos num terceiro conjunto - por exclusão de partes - denominado precisamente poemas inconjuntos (ou seja, poemas não organizados). Estes poemas caracterizam-se por serem ligeiramente diferentes, quer em temática quer em forma, dos poemas "clássicos" de Alberto Caeiro, sobretudo quando comparados com o conjunto principal do “Guardador de Rebanhos”.
Alberto Caeiro foi construído – enquanto personagem heteronímica - como alguém com fraca saúde. Ele viverá pouco tempo e morrerá doente, com a mesma doença que afligiu o pai de Pessoa. Neste poema Caeiro fala-nos da possibilidade de morrer sem publicar os seus versos e não podemos deixar de fazer um paralelo com o próprio Fernando Pessoa, no que toca a esta preocupação. Seria bem possível que Pessoa falasse dele próprio ao escrever estes versos sob o nome de Caeiro. É pois ele que se preocupa em morrer sem publicar.
Caeiro é caracterizado como sendo o heterónimo "natural", que aceita as coisas como elas são, sem as querer compreender.
A sua atitude neste poema é particularmente estóica - e nisso aproxima-se de Ricardo Reis - pois ele parece dar a entender que, se não for publicado, é porque o destino assim o entendeu e nada haverá a lamentar. O que há aqui verdadeiramente de Caeiro é precisamente a referência ao "pensar": "não se ralem", ou seja, não pensem nisso. É a mesma mensagem que por exemplo achamos no "Guardador", quando ele recusa o pensamento das coisas face à aceitação pura delas, assim como elas são. Ele aqui também se refere a uma "coisa", embora seja algo menos concreto, menos natural.
Mesmo sem serem impressos os versos continuarão a ser também eles "naturais", embora seja também natural que eles sejam impressos - a sua natureza, a própria natureza da poesia, é ser lida por outros, como as flores nascem para florescer de cima da terra. Há nesta expressão um claro desvio ao pensamento natural de Caeiro - e nisso os "Poemas inconjuntos" podem ser vistos enquanto uma deturpação desse pensamento original. O Caeiro "original" não se deixaria enredar por este tipo de pensamento – diria apenas que os poemas seriam belos mesmo sem serem publicados, mas Caeiro, neste poema inconjunto não se fica por aí, vai mais longe. Descrevendo quem era a quem o pudesse não conhecer, ele chega mesmo a dizer que "uma vez amei". O Caeiro do "Guardador" nunca diria esta frase, pois para ele o amor era um intruso à visão natural e simples do mundo, que se contempla de longe mas do qual se participa de perto, sem pensar em nada. Amar é pensar e por isso, em lógica, o amor seria recusado enquanto pensamento do outro.
É possível - e muito interessante - contrapor então este poema inconjunto aos poemas do "Guardador" e ver em que medida o "Guardador" é o repositório da heterodoxia de Caeiro, do seu pensamento mais restrito e original, enquanto que os outros poemas denotam já uma certa degenerescência do seu pensamento, uma quebra de convicção, sobretudo por influência de um caso amoroso (cuja influência é por demais evidente no conjunto "Pastor Amoroso").

terça-feira, 29 de novembro de 2011

O Mundo que nos Rodeia: MORREU A ÚNICA FILHA DE STALIN, NO ANONIMATO E NA POBREZA

Josef Stalin com Svetlana nos braços, numa fotografia com data e localização desconhecidas

Morreu a única filha de Stalin, no anonimato e na pobreza

Svetlana Stalina, a eterna prisioneira do nome do seu pai, que renunciou aos seus valores e se entregou ao capitalismo, morreu aos 85 anos, vítima de cancro do cólon, no condado de Richland, no estado norte-americano do Wisconsin.
A informação foi avançada na segunda-feira por Benjamin Southwick, cônsul do condado de Richland, que comunicou que Lana Peters, como era conhecida, morreu no dia 22 de Novembro.
A sua morte, tal como os seus últimos anos de vida, aconteceram longe dos olhares públicos. Svetlana Stalina mudara de nome e de vida. Várias vezes.
A princesa do Kremlin fugiu para a Índia, Inglaterra, França, abraçou os valores capitalistas, refugiou-se nos Estados Unidos, voltou à Rússia e fixou-se, de novo, nos Estados Unidos.
Nasceu Svetlana Stalina, com a morte do pai passou a ser Svetlana Alliluyeva. Nos Estados Unidos adoptou o pseudónimo Lana Peters, renunciou aos valores do pai, renegou as suas raízes, a sua família e morreu longe das câmaras, que a seguiram desde o seu nascimento, em 1926 em Moscovo.
Admitiu ser impossível viver sem "Deus no coração" e pôs em causa as ideologias políticas. Para ela não existiam comunistas ou capitalistas, apenas pessoas boas e más.
Morreu na terça-feira passada, na pobreza e no anonimato, no condado de Richland, no meio do vazio das explorações agrícolas, vítima de cancro do cólon, informa o New York Times.
"Onde quer que eu vá, serei sempre uma prisioneira política do nome do meu pai. Depois da morte do seu pai, em 1953, que governou a Rússia durante 29 anos, foi despojada dos seus direitos, por Nikita Kruschev. Perdeu a sua fortuna e disse, várias vezes, sentir-se escrava do seu passado.  Foi, durante anos, acompanhante do pai em festas e recepções.  
Escreveu duas autobiografias. Teve mais três irmãos rapazes e foi a menina do pai, que a cobriu de atenção. Chegou a oferecer-lhe filmes americanos.
Viveu os primeiros anos da sua vida alheada das circunstâncias em que tinha nascido,  entre as almofadas do Kremlin, afastada da repressão do pai e do holocausto na Ucrânia.  
Svetlana Stalina, numa conferência de imprensa em Nova Iorque, em 1967
Segundo escreveu em 1992 o Washington Times foi alvo de uma tentativa de homicídio pelo KGB, nos anos 60.



Tinha fama de não estar 2 anos no mesmo sítio

Em 1970, três anos depois de ter chegado a Nova Iorque, conheceu William Wesley Peters, discípulo do arquitecto Frank Lloyd Wright. Casaram-se e mudaram-se para uma casa desenhada pelo arquitecto de Scottsdale, no Arizona.
Tiveram uma filha e divorciaram-se, como era habitual nos casamentos de Svetlana. Foi o quarto divórcio da única filha de Stalin, que já havia contraído matrimónio duas vezes na Rússia e uma terceira com um comunista indiano.
Em 1978, naturalizou-se norte-americana, queimou em público o passaporte russo e mudou de nome.
Mudou-se, entretanto, para Inglaterra e depois regressou à Rússia, onde recuperou o seu passaporte, mas não encontrou o reconhecimento que esperava.
Voltou a refugiar-se nos Estados Unidos, desta vez na Geórgia, em 1986.
Já em Wisconsin, disse-se incompreendida. Afastou-se dos meios de comunicação, passou a viver na pobreza, com a ajuda de uma filha, cientista a trabalhar na Sibéria.
Passou os últimos anos da sua vida numa enfermaria de Richland. Deu a última entrevista em Abril do ano passado ao Wisconsin State Journal. Disse dedicar-se à costura e à leitura, em detrimento da televisão.
Quando ao pai, limitou-se a referir: "Ele destruiu a minha vida." "Onde quer que eu vá", disse, "aqui, na Suíça, Índia, em qualquer lado. Austrália. Em qualquer ilha. Eu serei sempre uma prisioneira política do nome do meu pai."

Fonte: SAPO Notícias

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Às Voltas com a Memória: DAVID MOURÃO-FERREIRA (n. 24 Fev. 1927; m. 16 Jun. de 1996)


David de Jesus Mourão-Ferreira, nasceu a 24 de Fevereiro de 1927, licenciado em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em 1951, onde mais tarde em 1957 foi professor, tendo-se destacado como um dos grandes poetas contemporâneos do Século XX.
Na sua obra, são famosos alguns dos poemas que compôs para a voz de Amália Rodrigues, como Sombra, Maria Lisboa, Nome de Rua, Fado Peniche e sobretudo Barco Negro, entre outros.
Mourão-Ferreira trabalhou para vários periódicos, dos quais se destacam a Seara Nova e o Diário Popular, para além de ter sido um dos fundadores da revista Távola Redonda. Entre 1963 e 1973 foi secretário-geral da Sociedade Portuguesa de Autores. No pós-25 de Abril, foi director do jornal A Capital e director-adjunto do O Dia.
No governo, desempenhou o cargo de Secretário de Estado da Cultura (de 1976 a Janeiro de 1978, e em 1979). Foi por ele assinado, em 1977, o despacho que criou a Companhia Nacional de Bailado.
Foi autor de alguns programas de televisão de que se destacam "Imagens da Poesia Europeia", para a RTP.
Em 1981 é condecorado com o grau de Grande Oficial da Ordem de Santiago da Espada. Em 1996 recebe o Prémio de Carreira da Sociedade Portuguesa de Autores e, no mesmo ano, recebe a Grã-Cruz da Ordem de Santiago da Espada.
Do primeiro casamento, com Maria Eulália, sobrinha de Valentim de Carvalho, teve dois filhos, David João e Adelaide Constança, que lhe deram 11 netos.
Morreu a 16 de Junho de 1996.

domingo, 27 de novembro de 2011

O Mundo que nos Rodeia: FADO É PATRIMÓNIO IMATERIAL DA HUMANIDADE


Fado é Património Imaterial da Humanidade


O fado é Património Imaterial da Humanidade segundo decisão hoje tomada durante o VI Comité Intergovernamental da Organização da ONU para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

O fado canta a vida e o destino de um povo há cerca de dois séculos, mas agora deixou de ser só nosso para ser de todos. Depois de várias horas de atraso, a candidatura do fado foi aceite pelo comitê de 24 delegados da UNESCO.
O antigo presidente da Câmara de Lisboa Pedro Santana Lopes lançou a ideia de candidatar o fado a Património Imaterial da Humanidade e escolheu os fadistas Mariza e Carlos do Carmo para embaixadores da candidatura.
A candidatura foi aprovada por unanimidade pela Câmara de Municipal de Lisboa no dia 12 de maio de 2010 e apresentada publicamente na Assembleia Municipal, no dia 01 de junho, tendo sido aclamada por todas as bancadas partidárias.
No dia 28 de junho de 2010, foi apresentada ao Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, e formalizada junto da Comissão Nacional da UNESCO. Em agosto desse ano, deu entrada na sede da organização, em Paris.
A candidatura portuguesa foi considerada como exemplar pelos peritos da UNESCO, tal como o Paraguai e Espanha.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O Mundo que nos Rodeia: DUARTE LIMA NADA FEZ PARA ILIBAR O FILHO




Duarte Lima não fez nada para ilibar o filho

Duarte Lima recusou explicar ao juiz e ao Ministério Público o negócio com o BPN que o levou à prisão e também não fez nada para ilibar o filho – que usou como testa-de-ferro, conforme está indiciado nas transferências de dinheiro que constam do processo.

Segundo o SOL apurou, o depoimento do terceiro arguido no caso, Vítor Raposo, sócio no mesmo negócio, foi também nesse sentido: Pedro Lima apenas deu o nome, o pai arquitectou a forma como tudo se desenrolou.

Pedro Lima, de 26 anos, finalista em gestão de empresas da Universidade Lusíada, tem até ao próximo dia 5 de Janeiro que prestar uma caução de 500 mil euros. Esta medida de coacção foi-lhe fixada pelo juiz Carlos Alexandre, do Tribunal Central de Instrução Criminal, após proposta de Rosário Teixeira, procurador do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), onde corre o inquérito. O facto de não ter ficado em prisão preventiva explica-se precisamente por ser do conhecimento da investigação que o pai liderou todo o negócio.

Já Vítor Raposo – que se apresentou à Polícia esta segunda-feira, regressado da Guiné-Bissau – explicou a sua versão do negócio e saiu com a proibição de contactar os outros arguidos. Além disso, tem de pedir autorização, se quiser ausentar-se do país.

Em causa, recorde-se, está uma operação imobiliária que lesou o BPN em mais de 40 milhões de euros, através de um fundo imobiliário fechado – Homeland –, que tem como sócios Pedro Lima e o empresário Vítor Raposo (cada um com 42,5%) e o BPN (15%).

Em 2007, o fundo comprou 35 terrenos no concelho de Oeiras, na zona para onde chegou a ser equacionada a construção de um novo edifício para o Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa. O financiamento do BPN foi então directamente autorizado pelo próprio presidente, José Oliveira Costa.

O inquérito foi aberto este ano e é mais um caso do dossiê BPN. Duarte Lima, o filho e Vítor Raposo são arguidos por burla agravada, fraude fiscal agravada e branqueamento de capitais.

Segundo as fontes contactadas pelo SOL, durante o interrogatório – na passada sexta-feira – o advogado e antigo deputado do PSD demonstrou «uma frieza absoluta». A sua prisão preventiva foi justificada pelo juiz de instrução com o perigo de fuga (devido ao mandado de captura emitido pelo Brasil, que acusa Lima do homicídio de Rosalina Ribeiro), a falta de colaboração e o perigo de perturbação do inquérito.

Apesar de o seu advogado, Raul Soares da Veiga, ter defendido que a prisão era desnecessária, pois o mandado de captura do Brasil é um elemento dissuasor de qualquer plano de fuga, o facto é que há muitos países que não são cobertos pela Interpol. Isto, aliado à capacidade financeira de Duarte Lima e ainda ao facto de nas últimas semanas ter vendido uma série de bens, foram decisivos para o ex-deputado ficar preso.


Fonte:
paula.azevedo@sol.pt e felícia.cabrita@sol.pt

O Mundo que nos Rodeia: PORTUGAL VAI PAGAR 34,4 MIL MILHÕES EM JUROS PELOS EMPRÉSTIMOS DA TROIKA




Dados do Governo revelam que Portugal vai pagar 34.400 milhões de euros em juros pelos empréstimos do programa de ajuda da troika.

 
Este valor foi apresentado pelo Ministério das Finanças em resposta a uma questão de Honório Novo, deputado do PCP.

O total do crédito oferecido a Portugal no âmbito do programa de assistência da 'troika' é 78 mil milhões de euros.

Durante o debate parlamentar do Orçamento Rectificativo para 2011, no final de Outubro, o deputado comunista pelo Porto perguntou: "Quanto é que serão os juros globais desta ajuda? Quanto é que Portugal pagará só em juros para nos levarem pelo mesmo caminho que a Grécia, ao empobrecimento generalizado do país?".

A resposta do Ministério das Finanças, 34.400 milhões de euros, corresponde ao valor total a pagar ao longo do prazo dos empréstimos.

Isto presumindo que Portugal recorre integralmente ao crédito disponível. Ou seja, que "é utilizado na totalidade" o montante destinado às empresas do sector financeiro - os 12 mil milhões de euros reservados para a recapitalização da banca.
Na resposta do Ministério das Finanças a Honório Novo nota-se ainda que as condições dos empréstimos concedidos por instituições europeias são bastante mais favoráveis que as dos créditos do FMI.

Os empréstimos do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) ou do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) têm uma maturidade (duração) média de 12 anos, a uma taxa de juro média de 4%.

Já os empréstimos do Fundo têm uma maturidade média de sete anos e três meses, e uma taxa de juro média de 5 por cento - mas neste caso "a taxa de juro é variável, à qual acresce um 'spread' [diferencial] que depende do montante em dívida e pode chegar a perto de 400 [pontos base] depois dos três primeiros anos", lê-se no documento das Finanças


Fonte: Económico Online

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Às Voltas com a Memória: FRANÇOIS MITERRAND (n. 26 Out. 1916; m. 08 Jan. de 1996)


François Maurice Adrien Marie Mitterrand, nasceu em Jarnac, Charente, a 26 de Outubro de 1916.
Detém actualmente o recorde de longevidade (14 anos) na presidência da República Francesa. Foi o primeiro e (até hoje) único presidente da república oriundo do partido Socialista. Foi sob sua presidência que foi abolida a pena de morte na França, em 1981.
O seu mandato presidencial encerrou-se em Maio de 1995, quando foi sucedido por Jacques Chirac. Morreu de cancro seis meses depois.
François Mitterrand nasceu no seio de uma família católica e conservadora da província. O seu pai, Joseph, era agente de uma companhia ferroviária, e também fabricante de vinagre, e chegou a ser presidente da federação de sindicatos de fabricantes de vinagre. Teve três irmãos e quatro irmãs.
Entre 1925 e 1934 fez os estudos secundários no colégio Saint-Paul de Angulême. Aí Mitterrand integrou-se na Juventude Estudiantil Cristã, ramo estudantil da Acção Católica. Até 1937 estudou na Escola Livre de Ciências Políticas, licenciando-se em Julho de 1937.
Nessa época (entre 1935 e 1936) militou durante cerca de um ano nos Volontaires nationaux (voluntários nacionais) do coronel de La Rocque. Participou nas manifestações contra "a invasão de vagabundos" em Fevereiro de 1935 e mais tarde nas que se fizeram contra o professor de Direito Gaston Jèze, quando este foi nomeado conselheiro jurídico do Negus da Etiópia, em Janeiro de 1936. Relaciona-se, por amizade ou família com membros da Cagoule. Escreveu artigos em jornais de direita como L'Écho de Paris de Henri de Kerillis, próximo do Partido Social Francês, de carácter fascista. São artigos de literatura, mas também sobre a sociedade contemporânea e a política. Em 1938 conhece Georges Dayan (judeu e socialista) a quem salva de agressões anti-semitas da Acção Francesa. Passam a ser grandes amigos.
Entre 1937 e 1939 fez serviço militar na infantaria colonial.
Morreu em Paris a 8 de Janeiro de 1996.

O Mundo que nos Rodeia: MANIFESTO ENCABEÇADO POR SOARES APELA À MOBILIZAÇÃO CONTRA A AUSTERIDADE



Manifesto encabeçado por Soares apela à mobilização contra austeridade

Um manifesto encabeçado pelo ex-Presidente da República Mário Soares apela à mobilização política e cívica de quem se opõe às actuais políticas de austeridade, dizendo que acrescentam apenas desemprego e recessão e sufocam a recuperação económica.

Além de Mário Soares, assinam este manifesto - tornado público na véspera da greve geral convocada pela CGTP-IN e UGT - Isabel Moreira (deputada independente do PS), Joana Amaral Dias (ex-dirigente do Bloco de Esquerda), José Medeiros Ferreira (ex-ministro dos Negócios Estrangeiros), Mário Ruivo (professor universitário), Pedro Adão e Silva (ex-dirigente do PS), Pedro Alves (líder da JS), Vasco Vieira de Almeida (advogado, ex-ministro socialista) e Vítor Ramalho (líder do PS/Setúbal).

«Os signatários opõem-se a políticas de austeridade que acrescentem desemprego e recessão, sufocando a recuperação da economia. Nesse sentido, apelamos à participação política e cívica dos cidadãos que se revêem nestes ideais, e à sua mobilização na construção de um novo paradigma», refere o manifesto ao qual a agência Lusa teve acesso.

Segundo os subscritores do texto, intitulado 'Um novo rumo', este «é o momento de mobilizar os cidadãos de esquerda que se revêem na justiça social e no aprofundamento democrático como forma de combater a crise».

«Não podemos assistir impávidos à escalada da anarquia financeira internacional e ao desmantelamento dos estados que colocam em causa a sobrevivência da União Europeia (UE). A UE acordou tarde para a resolução da crise monetária, financeira e política em que está mergulhada», criticam estes representantes do espaço socialista, antes de defenderem que a solução para a crise nacional passa em primeiro lugar pela Europa e de manifestarem apreensão face à real democraticidade dos processos que levaram ao poder os actuais executivos italiano e grego.

«Sem a resolução política dos problemas europeus, dificilmente Portugal e os outros Estados retomarão o caminho de progresso e coesão social. É preciso encontrar um novo paradigma para a UE», defendem os subscritores do manifesto.

Para este grupo, encabeçado por Mário Soares, «o recente recurso a governos tecnocratas na Grécia e na Itália exemplifica os perigos que alguns regimes democráticos podem correr na actual emergência».

«Ora a UE só se pode fazer e refazer assente na legitimidade e na força da soberania popular e do regular funcionamento das instituições democráticas. Não podemos saudar democraticamente a chamada rua árabe e temer as nossas próprias ruas e praças», apontam os subscritores do documento.

O ex-Presidente da República e os restantes signatários do documento mostram-se também preocupados com algumas soluções políticas que poderão ser adoptadas em Portugal a curto prazo.

«Temos de denunciar a imposição da política de privatizações a efectuar num calendário adverso e que não percebe que certas empresas públicas têm uma importância estratégica fundamental para a soberania. Da mesma maneira, o recuo civilizacional na prestação de serviços públicos essenciais, em particular na saúde, educação, protecção social e dignidade no trabalho é inaceitável», denunciam.


Lusa/SOL

terça-feira, 22 de novembro de 2011

O Mundo que nos Rodeia: NÚMERO DE EMIGRANTES ESTÁ A AUMENTAR COM A CRISE



Número de Emigrantes esta a Aumentar com a Crise

Suíça, França e Angola são os principais destinos dos novos emigrantes, cujo número está a crescer devido às dificuldades económicas e inclui já pessoas de 40 e 50 anos, disse à Lusa o secretário de Estado das Comunidades.

Apesar de ser impossível obter dados específicos sobre o número de emigrantes – já que a circulação de pessoas é livre na União Europeia -, o secretário de Estado José Cesário admite que o número tem aumentado com o crescimento das dificuldades económicas em Portugal.

«Nós sabemos, nomeadamente pelo reflexo que temos a nível da administração dos consulados e da abertura de novas contas, que há um aumento muito grande» da emigração, disse à Lusa.

Os novos emigrantes têm algumas diferenças em relação às chamadas vagas convencionais. A começar pelos destinos, que agora incluem Angola como um dos principais países para onde os emigrantes portugueses se dirigem e passando pela idade de quem vai para fora, já que a geração que tem 40 e 50 anos também passou a arriscar.

Os principais destinos são Suíça, França e Angola, locais procurados por oferecerem oportunidades de emprego, explica o secretário de Estado, acrescentando que também começa a haver procura para o Brasil.

«A grande diferença é que, até há meia dúzia de anos, não havia uma pessoa de 40 ou 50 anos a emigrar e hoje vêem-se várias. Como se vê pessoas que partem com a família toda atrás e como se vê muita gente qualificada, muita gente com cursos superiores que vai procurar oportunidades lá fora», explicou José Cesário.

Ainda assim, admitiu, a maior parte do emprego é conseguido nas actividades tradicionais: hotelaria, construção civil e limpezas.

«Pontualmente há emigração mais qualificada. O Canadá e a Austrália têm fluxos migratórios periódicos para gente muito qualificada, mas não é fácil entrar», disse.

A crise económica e consequente aumento do desemprego também se faz notar na imigração.

«Hoje não há praticamente pessoas a entrar em Portugal vindas do exterior», afirmou o secretário de Estado das Comunidades, adiantando que «pode haver um caso ou outro, mas o que há é pessoas a sair. O que é evidente porque não há empregos».


Lusa/SOL

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

O Mundo que nos Rodeia: CORTE DE REMUNERAÇÕES E AUMENTO DE TRABALHO, SÃO "INCONSTITUCIONAIS E TERRORISTAS"



O advogado especializado em questões laborais, Garcia Pereira, considerou hoje que os cortes das remunerações do sector público e o aumento do tempo de trabalho são "inconstitucionais e terroristas".

"As medidas anunciadas pelo Governo, como o corte dos salários e os subsídios de férias e de Natal e o aumento forçado da jornada de trabalho são inconstitucionais e terroristas e visam causar nos trabalhadores o terror de si próprios", disse António Garcia Pereira no XV Congresso de Direito do Trabalho, a decorrer em Lisboa.

O professor universitário especificou que são inconstitucionais os cortes salariais médios de cinco por cento aplicados ao sector público desde o início deste ano, assim como o corte dos subsídios de Férias e de Natal, o aumento do horário de trabalho diário em meia hora, a retirada de feriados, um eventual corte salarial no sector privado e a "abertura de despedimentos a situações arbitrárias".

"Tudo isto viola princípios constitucionais como o da certeza jurídica e do igualdade e leva ao trabalho forçado, que nos devia envergonhar", disse.

O jurista deu exemplos do que considera ser actualmente trabalho forçado, referindo casos de jovens que trabalham 14 e 16 horas por dia, em regime de subcontratação, em 'call centers' de grandes empresas, sem terem sequer intervalos para refeição.

Garcia Pereira aproveitou ainda a oportunidade para criticar os juízes do Tribunal Constitucional que considerou como "um conjunto de comissários políticos que abandonaram a argumentação jurídica para se limitarem a apreciações políticas".

"O Tribunal Constitucional tem consagrado decisões políticas que desrespeitam a constituição da República. É o vale tudo, é a suspensão do que está na constituição sem que tenham sido usados os meios nela previstos", disse.

Garcia Pereira desafiou ainda os constitucionalistas a explicarem o que é o memorando acordado pela 'troika' e que o documento também tem que estar sujeito "ao nosso texto fundamental". "O combate ao défice e à divida não justificam tudo. Os fins não justificam os meios, só nos regimes fascistas", afirmou o advogado.


Fonte: LUSA

Os "Nossos" SOCIÓLOGOS...


WALTER RODRIGUES

Walter José dos Santos Rodrigues. É Professor Auxiliar – ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa. Publicou 9 artigos em revistas especializadas e 4 trabalhos em actas de eventos, possui 2 capítulos de livros e 4 livros publicados. Possui 28 itens de produção técnica. Participou em 12 eventos em Portugal. Actua na área de Sociologia. Nas suas actividades profissionais interagiu com 39 colaboradores em co-autorias de trabalhos científicos.

GRAUS ACADÉMICOS

2009
Doutoramento em Sociologia
ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa

1992
Provas de Aptidão Pedagógica / Capacidade Científica em Sociologia
ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa


1982 – 1987
Licenciatura em Sociologia
ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa


PRODUÇÃO CIENTÍFICA

1.      Rodrigues, Walter. 2010. Cidade em Transição. Nobilitação Urbana, Estilos de Vida e Reurbanização em Lisboa. ed. 1, ISBN: 978-972-774-270-7. Lisboa: Celta Editora

2.      Lança, Isabel S; Rodrigues, Walter; Mendonça, Sandro. eds. 2007. Inovação e Globalização – Estratégias para o desenvolvimento económico e territorial ed. 1, ISBN: 978-989-625-261-8. Porto: Campo das Letras.

3.      Ferreira, Vítor M; Rodrigues, Walter; Casanova, José L; Castro, Alexandra; Wemans, Luís; Amor, Teresa. 1997. Lisboa, a metrópole e o rio. ed. 1, ISBN: 972-53-0004-1. Lisboa: Bizâncio.

4.      Paiva, Flávio; Rodrigues, Walter; outros. 1996. Dicionário do Imobiliário - Habitação, Construção, Urbanismo. ed. 1, ISBN: 972-8327-01-3. Lisboa: Civis.
(Responsável pela definição dos conceitos de sociologia e sociologia urbana).

CAPÍTULOS DE LIVROS

1.      Rodrigues, Walter. 2007. A cidade-região em tempo de transição: uma discussão da actual globalização e governança urbana.  In Inovação e Globalização – Estratégias para o desenvolvimento económico e territorial, ed. Isabel Salavisa Lança, Walter Rodrigues e Sandro Mendonça, 219 - 247. . Porto: Campo das Letras.

2.      Ferreira, Vítor M; Rodrigues, Walter; Casanova, José L; Castro, Alexandra; Amor, Teresa. 1997. The Lisbon waterfront centrality in a context of international competitiveness.  In Environmental Challenges in an Expanding Urban World and the Role of Emerging Information Technologies, ed. João Reis Machado e Jack Ahern, 17 - 27. . Lisboa: CNIG.


quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O Mundo que nos Rodeia: ISCAL, ensino de excelência?




Em todas as universidades onde se pode encontrar o curso de Gestão, os alunos entram (logicamente) com a nota de Matemática do 12º ano. No ISCAL não. Pode ser Português ou Economia.
Assim, quando se comparam médias de entrada entre o mesmo curso em diferentes universidades, estão a ser comparados alhos com bugalhos.
E o mais grave é que é isso que torna o curso atractivo. Se formos ver aos fóruns, quem vai para esse curso são precisamente aqueles que não tiveram Matemática no 12º ano. Porque quem teve prefere ir para universidades de Gestão e com renome nessa área científica (leia-se Católica, ISCTE, ISEG, NOVA, etc.)
A questão é, então, tentar perceber o que leva uma instituição a criar um curso nessas condições. Para isso, é necessário recuar alguns anos para perceber o que se passou no ISCAL até à criação deste curso (ano de 2006).


- Nos anos de 2002 a 2005, o número de alunos que entravam no curso de Contabilidade (especialidade do ISCAL, e é de onde vem o nome do instituto) sofria quedas na ordem dos 80%. Na altura havia cento e tal vagas e só conseguiam preencher 30 vagas (no máximo) e nas duas fases.



- Na altura, cerca de 2/3 dos professores do ISCAL vivia à custa de contratos a termo, renovamos anualmente ou de 2 em 2 anos, sem fazerem parte dos quadros e, portanto, sem vínculo efectivo à instituição. Isto significava que a redução do número de alunos estava a por em risco 67% dos professores, que, por não terem contrato a tempo indeterminado, seriam despedidos sem direito ao fundo de desemprego.



A solução seria criar um curso que fosse apelativo com os recursos que se encontravam disponíveis, ou seja, criar um curso que chamasse a atenção dos candidatos e, se possível, que os retivesse o maior número de anos possível. O curso criado era em tudo o curso de Contabilidade já leccionado, mas agora com o nome de Gestão. E falta acrescentar que o plano curricular apresentado ao Ministério do Ensino Superior foi chumbado 2 vezes por se encontrar desajustado aos restantes cursos de Gestão do país. A aprovação foi conseguida com o argumento de que este curso não traria as mesmas valências e que seria ministrado a alunos mais fracos, que só queriam ter o curso como complemento profissional (por essa razão é que é dos poucos que é leccionado em horário pós-laboral).
Portanto, a ideia seria receber o maior número de alunos possível e depois chutar-lhes com o máximo de Matemática e Contabilidade possível de modo a que tivessem garantidas as necessidades de professores e ainda lhes desse um grande volume de receitas resultantes do pagamento de propinas. (Outra curiosidade é que as propinas do curso de Gestão, no ano de criação do curso, estavam quase a preço de saldo, nada comparáveis com o resto do ensino superior. Uma vez mais para se tornar apelativo. Só depois começaram a subir. Cliente conquistado, deixa de ter interesse).
Nestas situações, são muito hábeis a manipular o sistema e a enganar quem se quiser deixar enganar.
Em 2010 saiu uma nova lei para regulamentar a carreira docente no Ensino Superior. Como resultado dessa lei, os professores que ainda não têm doutoramento têm um prazo máximo de 6 anos para tirar o doutoramento e poder continuar a dar aulas. Caso contrário, são despedidos.
A realidade do ISCAL é que apenas 11% dos professores têm doutoramento, enquanto que nas universidades TEM DE SER de 100% (caso contrário, são professores do secundário e não do superior). Só por aqui se vê o nível de excelência.
Neste momento, como os professores do ISCAL estão cheios de alunos (devido às medidas que já referi em cima), os 6 anos para fazer o doutoramento começam a parecer reduzidos. Lembraram-se, então, de recrutar professores para assegurar as aulas daqueles que se teriam de focar em fazer o doutoramento. E o mais engraçado é que estão a exigir que essas pessoas já tenham doutoramento e dizem-lhes que ao fim de 2-3 anos já não precisam dos seus serviços. Quer isto dizer, que toda a vida houve uma maioria de licenciados a ensinar licenciados e agora só admitem “estagiários” altamente qualificados (com doutoramento ou pós-doutoramento).
É ridículo…

É este um ensino de excelência?



Artigo retirado de um fórum da Internet em 13 de Setembro de 2010, em cumprimento da  Lei de Defesa de dados, não divulgo o nome da pessoa, mas muito
mais comentários existem sobre este Instituto, nada abonatórios.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Às Voltas com a Memória: ADELINO AMARO DA COSTA (n. 18 Abr. 1943; m. 04 Dez. de 1980)


Adelino Manuel Lopes Amaro da Costa, nasceu em Algés, a 18 de Abril de 1943, engenheiro civil, licenciado em 1966, foi assistente do Instituto Superior Técnico e director do Gabinete de Estudos e Planeamento do Ministério da Educação Nacional, sob a chefia de José Veiga Simão. Durante o período académico, dirigiu o jornal O Tempo. Cumpriu o serviço militar na Marinha de Guerra. Após a Revolução dos Cravos, influenciado pela Democracia Cristã, foi um dos fundadores do então Centro Democrático Social, hoje CDS - Partido Popular. Foi um dirigente destacado, ao lado de Diogo Freitas do Amaral, Francisco Lucas Pires e Luís Beiroco. Exerceu os cargos de primeiro secretário-geral do CDS, em 1974, deputado à Assembleia Constituinte, entre 1975 e 1976, e deputado à Assembleia da República, até 1980, onde presidiu ao Grupo Parlamentar do CDS. Colaborou nos jornais Expresso e O Século. Após a vitória da Aliança Democrática, nas eleições legislativas de 1980, foi-lhe atribuída a pasta da Defesa Nacional do VI Governo Constitucional, tornando-se assim o primeiro civil a assumir o cargo de ministro da Defesa, depois do 25 de Abril.
Na noite de 4 de Dezembro de 1980, é vítima do despenho de um avião em Camarate, onde viajava em direcção ao Porto, em conjunto com a sua esposa, o então primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro e a companheira deste, Snu Abecassis. Sá Carneiro e Amaro da Costa iriam participar num comício de apoio a Soares Carneiro, o candidato da AD nas eleições presidenciais de 1980.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Às Voltas com a Memória: ÁLVARO CUNHAL (n. 10 Nov. 1913; m. 13 Jun. de 2005)


Álvaro Barreirinhas Cunhal, nasceu em Coimbra, na freguesia de Sé Nova, a 10 de Novembro de 1913. Filho de Avelino Henriques da Costa Cunhal, advogado de profissão, republicano e liberal, e de Mercedes Simões Ferreira Barreirinhas Cunhal, católica fervorosa.
Passou a infância em Seia, de onde o pai era natural. O pai retirou-o da escola primária porque não queria que o filho «aprendesse com uma professora primária autoritária e a menina-de-cinco-olhos».
Aos onze anos, mudou-se com a família para Lisboa, onde frequentou o Liceu Camões. Daí seguiu para a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, onde iniciou a sua actividade revolucionária.
Em 1931, com dezassete anos, filia-se no Partido Comunista Português e integra a Liga dos Amigos da URSS e o Socorro Vermelho Internacional. Em 1934 é eleito representante dos estudantes no Senado da Universidade de Lisboa. Em 1935 chega a secretário-geral da Federação das Juventudes Comunistas. Em 1936, após uma visita à URSS, é cooptado para o Comité Central do PCP. Ao longo da década de 1930, colaborou com vários jornais e revistas como a “Seara Nova” e o “O Diabo”, e nas publicações clandestinas do PCP, o Avante e O Militante, com vários artigos de intervenção.
Em 1940, Cunhal é escoltado pela polícia à Faculdade de Direito, onde apresenta a sua tese da licenciatura em Direito, sobre a temática do aborto e a sua despenalização, tema pouco vulgar para a época em questão. A sua tese, apesar do contexto político pouco favorável, foi classificada com dezasseis valores. Do júri fazia parte Marcelo Caetano.
Devido aos seus ideais comunistas e à sua assumida e militante oposição ao Estado Novo, esteve preso em 1937, 1940 e 1949-1960, num total de 13 anos, 8 dos quais em completo isolamento sem nunca, incrivelmente, ter perdido a noção do tempo. Mesmo sob violenta tortura, nunca falou. Na prisão, como forma de passar o tempo, dedicou-se à pintura e à escrita. Uma das suas produções mais notáveis aquando da sua prisão, foi a tradução e ilustração da obra Rei Lear, de William Shakespeare. A 3 de Janeiro de 1960, Cunhal, juntamente com outros camaradas, todos quadros destacados do PCP, protagonizaram a célebre "fuga de Peniche", possível graças a um planeamento muito rigoroso e a uma grande coordenação entre o exterior e o interior da prisão.
Em 1962 é enviado pelo PCP para o estrangeiro, primeiro para Moscovo, depois para Paris.
Ocupou o cargo de secretário-geral do Partido Comunista Português, sucedendo a Bento Gonçalves, entre 1961 e 1992, tendo sido substituído por Carlos Carvalhas.
Em 1968 Álvaro Cunhal presidiu à Conferência dos Partidos Comunistas da Europa Ocidental, o que é revelador da influência que já nessa altura detinha no movimento comunista internacional. Neste encontro, mostrou-se um dos mais firmes apoiantes da invasão da então Checoslováquia pelos tanques do Pacto de Varsóvia, ocorrida nesse mesmo ano.
Regressou a Portugal cinco dias depois do 25 de Abril de 1974. Nesse mesmo dia, passeou de braço dado com Mário Soares, por Lisboa, como forma de ambos comemorarem o início da Democracia em Portugal, pois mesmo que divergissem ideologicamente, apoiavam um Portugal livre e democrático.
Foi ministro sem pasta no I, II, III e IV governos provisórios e também deputado à Assembleia da República entre 1975 e 1992.
Em 1982, tornou-se membro do Conselho de Estado, abandonando estas funções dez anos depois, quando saiu da liderança do PCP.
Além das suas funções na direcção partidária, foi romancista e pintor, escrevendo sob o pseudónimo de Manuel Tiago, o que só revelou em 1995.
Nos últimos anos da sua vida sofreu de glaucoma, acabando por cegar.
Faleceu em 13 de Junho de 2005, em Lisboa, e no seu funeral (a 15 de Junho), estiveram presentes milhares de pessoas, há quem afirme mais de 250.000. Por sua vontade, o corpo foi cremado.
Da sua relação com Isaura Maria Moreira, teve uma filha, Ana Maria Moreira Cunhal, nascida a 25 de Dezembro de 1960.
Álvaro Cunhal ficou na memória como um comunista que nunca abdicou do seu ideal.